Chama-se Idade Média o período compreendido entre a Antiguidade e o Renascimento, cujo início acontece após a queda do Império Romano no Ocidente, no ano 476. Calma, leitor: eu não estou aqui para dar uma aula de História Geral. Essa introdução serve apenas para mostrar como a tal “época das trevas” está longe de nosso dia-a-dia. Hoje não vivemos em feudos, não usamos galináceos e legumes como moeda e não somos chamadas de milady pelos homens (o que é uma pena).
Mas, se repararmos bem, alguns resquícios medievais continuam presentes mesmo em pleno século 21. Além dos impostos que teimam em castigar o trabalhador para enriquecer uma elite exploradora (puxa, será que não vai mudar nunca?), também temos a prática da tortura. Isso mesmo! E não pense que os métodos são aplicados apenas pela polícia abusiva e por adeptos ao sadomasoquismo. Nós somos torturados diariamente e a todo o momento.
Se carrascos daquele tempo vivessem nos dias atuais, aposto que ficariam felizes de ver alguns suplícios fazendo escola...
Mas, se repararmos bem, alguns resquícios medievais continuam presentes mesmo em pleno século 21. Além dos impostos que teimam em castigar o trabalhador para enriquecer uma elite exploradora (puxa, será que não vai mudar nunca?), também temos a prática da tortura. Isso mesmo! E não pense que os métodos são aplicados apenas pela polícia abusiva e por adeptos ao sadomasoquismo. Nós somos torturados diariamente e a todo o momento.
Se carrascos daquele tempo vivessem nos dias atuais, aposto que ficariam felizes de ver alguns suplícios fazendo escola...
Ontem: Máscara de ferro
Hoje: Aparelho odontológico
Ficar com o capacete fechado em torno de sua cabeça não é nada perto do que pessoas de dentes irregulares precisam enfrentar. Aposto que na Idade Média você não precisava ser sorridente e ter uma aparência limpinha. Pois agora o preço para se conseguir isso é um monte de ferro apertando a mandíbula! Sem contar a dor-de-cabeça, as aftas e a proibição de comer pipoca. Somando-se motorzinho, sugador e anestesia que teima em não pegar... Dentistas são algozes ou o quê?
Ontem: Gaiolas suspensas
Hoje: Poltrona de avião
Você é um sortudo que possui férias de trinta dias e algumas economias guardadas? Então um lindo período passado no exterior pode ser a melhor opção. O problema é o que separa você do ponto turístico: dezenas de horas dentro de uma lata de sardinha. Pendurar a pessoa em uma gaiola de ferro é canção de ninar quando se faz isso a quilômetros de altura e ainda cobrando preços exorbitantes. Sem chance de esticar as pernas ou de dormir direito. E com comida ruim.
Ontem: Fogueira
Hoje: Salto alto
Os inquisidores eram burros. Mal sabiam que existe uma tortura muito melhor que fogueira para se obter revelações: salto alto! Se pegássemos as supostas bruxas que não confessaram o delito mesmo queimadas vivas, colocássemos nelas um salto stilleto (aqueles longos e ultrafinos) e as botássemos para andar pelas calçadas esburacadas e remendadas da cidade, contariam até sobre a vez em que roubaram o lanche da coleguinha nerd durante o recreio do pré-primário.
Ontem: Tortura chinesa
Hoje: Reforma no vizinho
Oriental é zen até para bolar torturas: a chinesa consistia em deixar uma goteira incessante na testa da vítima até ela perder a sanidade mental – o que podia demorar meses ou anos. Como a reforma no seu vizinho, né? Mas ao invés da gotinha d’água, tem-se o martelo quebrando pisos, a furadeira esburacando paredes e a serra-elétrica cortando peças, em uma sinfonia cadenciada e constante, cruelmente patrocinada pelos mais medievais dos infernos desde as nove da manhã.
Ontem: Submersão em azeite
Hoje: Depilação
As mulheres daquela época é que eram felizes – seus longos vestidos não deixavam à mostra o horripilante par de pernas peludas. Nós não podemos usufruir dessa vantagem e, portanto, precisamos nos submeter à cera quente que arranca os pêlos até a raiz. E, novamente, pagamos pela ação e ainda a repetimos com freqüência. Valha-me Deus! A depilação, a manutenção da sobrancelha e a escova no cabelo deixam no chinelo qualquer submersão em azeite borbulhante.
Ontem: Masmorra
Hoje: Ônibus cheio
Quando carrascos estavam de bom-humor, atiravam os prisioneiros a um quartinho apertado, úmido e fedido, onde seus gritos por socorro não podiam ser ouvidos. Engraçado, mas a definição da masmorra me lembra muito um coletivo em dia de chuva na hora do rush! O povo se acotovelando por espaço, respirando um ar viciado por conta das janelas fechadas, o cheiro de cecê na atmosfera... O cárcere parece passeio no parque quando comparado ao Usina-Praça Mauá às seis da tarde.
Ontem: Empalação
Hoje: Exames ginecológicos
Não há quem não faça careta ao ouvir falar sobre esse método tão cruel – no qual era enfiada uma estaca em... hã... orifícios humanos onde o sol não bate. Desagradável pra dizer o mínimo. E meu achômetro é baseado nos invasivos exames ginecológicos: puxa, nós nos guardamos tanto para a pessoa certa (bem, algumas de nós) e vai logo um desconhecido adentrar as vergonhas com aparelhos estranhos? Só quem passou pelo ultra-som transvaginal sabe do que estou falando.
Era muito, muito melhor.
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