sexta-feira, julho 21, 2006
O inferno são os outros
Costuma-se dizer que a maior esperteza do Diabo foi convencer as pessoas de que ele não existia. Bom, pode ter pegado muita gente, mas não a todos. Há quem se pele genuinamente de medo do capeta. Tem até quem evite repetir as palavras Belzebu, Satanás ou Lúcifer – sejam eles o mesmo cara ou apenas vários nomes do mesmo senhor avermelhado. Eu acho que exageram com o repúdio ao sujeito. Pegaram o Diabo para Cristo.
Não que eu seja fã do assim chamado Rei das Trevas. Para começar, porque é muito convencimento desse indivíduo se auto-intitular monarca do lado escuro. Nessa fila temos candidatos fortes, de Darth Vader a Ozzie Osboune, passando por Zé do Caixão e Zinedine Zidane. Acho que é preciso comer muito arroz com feijão e pimenta dedo-de-moça para fazer frente a essa turma
Mesmo assim, não acredito que seja certo culpá-lo de tudo. O desgraçado assassina uma dúzia, “está com o demônio no corpo”. Os moleques mais traquinas são logo considerados uns “capetas”. Então o pessoal se comporta mal e o Diabo é quem leva a fama? Até onde se pode provar, ele não manda em ninguém.
Exceto na Reagan, de “O Exorcista”, claro.
Eu sei, posso estar sendo condescendente demais com um maligno zelador de purgatório. Mas vamos ver: se você aí morasse em um local ermo, fedido, calorento e monocromático, não ficaria um pouquinho nervoso? Para piorar, teria chifres instalados na cuca, um incômodo rabo e pernas de cabra – impossibilitando, de uma só vez, o uso de chapéus, calças e sandálias de dedo. Um inferno, convenhamos.
Porque para juntar as mãos e pedir coisas a Deus, todo mundo sabe. Mas falta compreensão com o Diabo, que não recebe um mísero requerimento feito com amor. Expulsaram-no para o porão astral, enquanto que os anjinhos bonitinhos e branquinhos e loirinhos ganharam o sótão. Com vista para o mar e o firmamento. O Diabo, pff! Tem infiltração no teto toda vez que rola um tsunami por aqui. Sofre com a superlotação de seu quintal – porque gente para ir ao inferno nunca falta.
Desculpem fazer, com o perdão do trocadilho, esse papel de advogada do Diabo. Tenho certeza, aliás, de que ele possui bacharéis muito mais gabaritados morando em seu reinado. Mas é que tenho pena de impingir a tragédia toda de nossas vidas para um coitado só.
A frase que nomeia este texto é de Jean-Paul Sartre. Queria ele dizer, suponho, que as demais pessoas incomodavam tanto a ponto de se tornarem o próprio demo. E é verdade muitas vezes. Vai ver, não existe mesmo um Diabo, mas pequenas partes de maldade, violência, mesquinhez, desonestidade, intolerância e safadeza em cada ser humano. O Diabo, então, seríamos todos nós.
Ou isso também é mais um truque daquele verme.
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5 comentários:
acredito q sejamos nós..fantoches tando de Deus como do Diabo..porem, nós fantoches ganhamos a chance de escolher de que lado ficar e seguir..
como eu n tenho religião sou um fantoche pertubado que haje sem direção.. rsrsrss rimou!
amei o texto te adoro
deus e o diabo tá na gente! aheheauheuha
bjo
caraleo beta vc roubou minha idéia de tatoo >.< não acredito!!! andurinhas nos ombros! absurdos! as minhas vão ser diferentes eu que as desenhei afff
s.diabos.somos.nós.nossos.inconscientes.assim.como.o.mesmo.é.deus.que.nos.permite.fazer.o.impossível.quando.neles.acreditamos...e.na.verdade.nada.mas.é.do.q.acreditarmos.na.nossa.capacidade!
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Beijos
Acredito que o homem é o próprio lobo do homem mesmo.. acredito eu.
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