sábado, janeiro 30, 2010

Mas eu volto. Em dobro!

Escuto todo santo dia a mesma ladainha. Mandam que eu aproveite para dormir, porque isso não vai mais acontecer como antes. Dizem para aproveitar o lazer, porque cinema e barzinho, nunca mais. Decretam o fim do sossego, da paz, da independência. Ao que parece, as pessoas acreditam que aqui na minha barriga está vivendo um bebê-demônio-zumbi-dominador-de-almas... Guilherme vai chegar daqui alguns dias e eu sei que muita coisa há de mudar mesmo. Escrever aqui pelo próximo mês, por exemplo, está fora de questão. Só que eu volto a conseguir coçar os meus pés, ó que maravilha! Tudo vai voltar ao normal (ou quase).

Eu sei que Guilherme vai mudar muita coisa por aqui. Já mudou, a bem da verdade. O box do chuveiro, por exemplo, está dominado por uma banheirinha azul com esponja amarela em formato de urso. O quarto, antes lar-doce-lar do cunhado, do telefone, do computador e de vários bagulhos, agora ganhou ares bem mais meigos e cheiro de talco. A conta bancária está abaixo de zero por causa de contas como “carrinho”, “berço” e “coisas miúdas que custam caro porque o mercado infantil é explorador”.

Mas o fato é: não consigo ver a coisa de modo tenso, como a maioria pinta. Tudo bem, ele bem poderá ser um garotinho nervoso e birrento. Sim, eu acredito que um dia ele há de se atirar no chão do supermercado fazendo manha. Ok, eu sei, terei falta de paciência vez por outra. Só que nada disso parece o fim dos dias.

Mania do público em geral de assustar as gestantes! Suspeito que queiram nos rogar praga, torcendo pra que os bebês sejam mesmo encapetados e nós sejamos punidas por ousar entupir o mundo de mais humanos!

Poxa... eu pensei que isso era motivo de alegria. Afinal, um dia meu filhote pode passar de nenê molenga e babão a cientista ou líder das massas. Quem sabe ele encontra a cura do câncer? E se virar diplomata e acabar com a crise no Oriente Médio? Já imaginam se Guilherme reinventa o pogobol?? Quero ver quem aí lembrará dos dias em que ela cuspiu papinha no chão.

Bom, eu com certeza hei de lembrar. Cada micagem desse pequeno vai ficar registrada aqui na cachola e no blog, como um filme interminável gravado no meu cérebro e no meu coração. E como a tal superprodução precisa ter um início à altura, ficamos assim: quando eu conseguir me sentar novamente sem incômodos internos, esse site vai passar a ter publicações semanais. Prometo a mim mesma.

Sim, vai bater saudade da internet e do blog e do twitter, confesso. Já virou parte do que eu sou escrever por aí, mesmo que ninguém leia, então será difícil não ficar inventando textos enquanto tomo banho ou sonhar com uma lista divertida e levantar de noite para anotar a idéia.

Talvez agora eu precise levantar de noite (se eu conseguir dormir) é para acudir um certo mocinho... E talvez meus pensamentos no banho corrido sejam dominados pela mesmo garoto miúdo. Mas ainda quero meu lugar nesse cyber-mundo e prometo voltar com mais vontade ainda de escrever. Aliás, quero continuar, o quanto for possível, a fazer as coisas como sempre fiz, agora com as devidas adaptações de mamãe e esposa que serei.

A vida poderá mudar um pouco ou virar totalmente do avesso. Mas, lá no fundo, eu ainda serei a mesma, tá certo?

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