terça-feira, agosto 26, 2008

Coisa de pobre


Não estou falando que elas sejam ruins. Tampouco desejo fazer uma apologia às tais, já que algumas beiram o crime. Sabe Deus como elas foram parar nesta lista – algumas por serem realmente baratas, outras por estarem associadas às camadas mais desfavorecidas da população... ih. Peraí. Para tudo. Vamos cortar o tucanismo e ir direto ao ponto: a idéia de hoje, crianças, é falar sobre coisas de pobre.


Às vezes coisas de pobre ficam cool de repente. Tipo o Odair José e a chita, aquele tecido todo estampado de flores enormes. Tem umas coisas de pobre que eu adoro, outras que eu odeio. E todo mundo tem em seu repertório coisas de pobre que já fez, comeu, participou ou ouviu – independente da altura em que se encontra na famigerada pirâmide social.

Pão com mortadela
Odeio. Mortadela é frio de pobre. Tá ali com apresuntado. Mas pode virar hype se for recheio de um pastel comido no mezanino do Mercado Municipal de São Paulo. Ou se cair nas graças de um chef de cozinha badalado. O pior é que, quando eu era pequena, diziam que mortadela era feita com carne de cavalo. Mas cavalo não é mais caro que boi?


Havaianas de sola branca
Adoro. Tenho um par, inclusive, carinhosamente apelidado de “havaianas de pedreiro”. Quando eu era pequena e cheia de preconceitos infantis achava essas chinelinhas uó. Antes do advento das havaianas top, tinha gente que virava a sola para deixar tudo igual. Agora voltei às raízes. Eu e o pedreiro da obra ao lado, que tem um par igualzinho ao meu. Sério.


Farofa
Adoro. E acho muito curioso: farofa salgada é coisa de pobre. Claro; é uma comida realmente barata, feita com moela e farinha. E pode variar: se não tiver moela, bota toucinho. Ou o que tiver sobrado de carne do almoço. Ou chuchu do quintal, como minha avó fazia. Já farofa doce é coisa de rico. Será que mortadela doce também seria, se houvesse?


Ir à praia com chuva
Não que eu adore. Mas, se tiro uma semana de férias e o sol não dá as caras por cinco dias, eu é que não vou ficar esperando a boa vontade de São Pedro para me divertir. Acho que as pessoas mais abastadas têm mais tempo de férias, por isso não precisam apelar e se jogar na areia toda furada pelos pingos da chuva. Mas acaba que a gente pega gosto pela coisa, sabe?


Levar “lembrancinhas”
Há quem leve para casa os vasinhos das mesas do casamento da vizinha, decorados com papel crepom. Há quem leve um saleiro do restaurante cool onde almoçou (à custa de três tickets do talão, o que significam três dias no fim do mês levando marmita). E há quem leve o travesseiro ou os fones do avião. Tudo pobre, em maior ou menor grau.


Mantinhas Parahyba
Adoro. Nada como se enrolar numa delas para... fazer qualquer coisa. Aquele xadrez é o que há, com as extravagantes combinações de vermelho, azul, verde, marrom. Aposto um braço que, assim como a mortadela, era só cair nas graças daquele decorador modernoso que a Trussaud incluiria o padrão na próxima coleção.


Aparecer no aniversário sem presente
Faço. E, quanto mais íntimo vai ficando o amigo, pior. Carol e Dani, que ganharam mimos nos primeiros anos e já não vêem a cor do papel de embrulho há algum tempo, que o digam! Acontece que eu dou presente quando me dá vontade – às vezes calha com a data do aniversário, às vezes não... E quando minha conta bancária permite. Além disso, sou ardorosa fã dos presentes feitos pela própria pessoa. Mas nunca arrumo tempo...


(Hum. Isso está me parecendo desculpa de pobre).

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