Agora que estou virando mamãe – se é que já não virei por completo –, sinto as mudanças. Não aquelas transformações óbvias, tipo ficar com a cinturinha da Vovó Mafalda e fazer drama até para vestir o tênis. Falo das mudanças internas, aquelas que entortaram meu pensamento logo depois que o alerta chamado “Alice” começou a se manifestar aqui dentro.
Quando era criança e adolescente, tinha o maior bode de mães. Seres estranhos aqueles... Sempre sabiam que remédio servia para qual doença, sempre podiam nos fazer sentir culpados “porque o trabalho de parto levou 12 horas, que ingratidão”. Eram sempre sábias, eram sempre capazes de fazer comida gostosa!
Minha avó, por exemplo, conseguia melhorar todo o cenário de um dia chato apenas se oferecendo para fazer um leite quente com açúcar e canela. Bebia lambendo os beiços e esquecia do menino que não me dava bola ou da vigésima nota baixa em matemática. Hoje, tudo o que desejo é me tornar um desses seres esquisitões. Algumas coisas já são óbvias, apesar de não terem lá muita utilidade.
Todo bebê me suscita um “óóóó...”
É batata: vejo propaganda de hidratante ou outdoor contando com a aparição de um bochechudinho desses, entorto o pescoço para o lado, arqueio as sobrancelhas para fora e solto um muxoxo típico de meninas que chamam o namorado de “tchutchuco”. Logo depois me sinto uma trouxa, mas não há remédio: nenéns liberam uma descarga de paspalhice direto no fígado.
Passei a achar o Fábio Jr. um poeta
Nunca tinha notado, mas “há uma estrela solta pelo céu da boca quando diz te amo” é coisa linda de se dizer. E “as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos”, então? Fabião é o último romântico. Ainda não cheguei no ponto de ir aos shows ou escrever carta perfumada para ele dizendo “enrosca o meu pescoço, dá um beijo no meu queixo e geme”. Ainda bem, argh.
Tenho vontade de fazer massa caseira e cozinhar legumes
De repente, olho os pacotes de salgadinhos e vejo ali câncer embalado em plástico colorido. Passei a adorar frutas, preferir suco em vez de refrigerante, um saco! Às vezes como uma bolacha doce bem safada só para manter funcionando o lado irresponsável da alimentação. Virar mamãezinha ciosa, tudo bem. Mas abdicar de todas as porcarias de uma vez, aí não.
Pesquiso preços no mercado
No melhor estilo Mirtes, saio de casa com a carteira e a missão de buscar algo pro jantar. Mas não basta arrematar qualquer coisa: precisa pesquisar. Precisa mais que isso! Experimento amostras das promotoras de venda (nem que seja iogurte de jaca), puxo papo com as moças do balcão de frios, peço ao padeiro “quatro dos moreninhos, faz favor”. E checo validade e preço. Nem Mirtes faria melhor.
Acho que toda mãe tem razão
Um dia já fui de bater boca com a minha genitora e achar que ela variava das idéias. Que saco ficar empurrando os filhos para comer, apanhar casaco, não beber, voltar cedo para casa, não dar mole aos estranhos... Onde mães querem chegar com tanta proteção, céus, é exagero! É nada. Passei a fazer o mesmo – e olha que ainda nem tenho o meu próprio alvo de zelo em mãos, então aporrinho a vida dos demais humanos que me cercam. Mãe é assim mesmo, fazer o quê? Uma vez que a genética é ativada, acho que nem tem mais volta. Aliás... ei, vocês já almoçaram? Querem que frite um ovo?
Quando era criança e adolescente, tinha o maior bode de mães. Seres estranhos aqueles... Sempre sabiam que remédio servia para qual doença, sempre podiam nos fazer sentir culpados “porque o trabalho de parto levou 12 horas, que ingratidão”. Eram sempre sábias, eram sempre capazes de fazer comida gostosa!
Minha avó, por exemplo, conseguia melhorar todo o cenário de um dia chato apenas se oferecendo para fazer um leite quente com açúcar e canela. Bebia lambendo os beiços e esquecia do menino que não me dava bola ou da vigésima nota baixa em matemática. Hoje, tudo o que desejo é me tornar um desses seres esquisitões. Algumas coisas já são óbvias, apesar de não terem lá muita utilidade.
Todo bebê me suscita um “óóóó...”
É batata: vejo propaganda de hidratante ou outdoor contando com a aparição de um bochechudinho desses, entorto o pescoço para o lado, arqueio as sobrancelhas para fora e solto um muxoxo típico de meninas que chamam o namorado de “tchutchuco”. Logo depois me sinto uma trouxa, mas não há remédio: nenéns liberam uma descarga de paspalhice direto no fígado.
Passei a achar o Fábio Jr. um poeta
Nunca tinha notado, mas “há uma estrela solta pelo céu da boca quando diz te amo” é coisa linda de se dizer. E “as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos”, então? Fabião é o último romântico. Ainda não cheguei no ponto de ir aos shows ou escrever carta perfumada para ele dizendo “enrosca o meu pescoço, dá um beijo no meu queixo e geme”. Ainda bem, argh.
Tenho vontade de fazer massa caseira e cozinhar legumes
De repente, olho os pacotes de salgadinhos e vejo ali câncer embalado em plástico colorido. Passei a adorar frutas, preferir suco em vez de refrigerante, um saco! Às vezes como uma bolacha doce bem safada só para manter funcionando o lado irresponsável da alimentação. Virar mamãezinha ciosa, tudo bem. Mas abdicar de todas as porcarias de uma vez, aí não.
Pesquiso preços no mercado
No melhor estilo Mirtes, saio de casa com a carteira e a missão de buscar algo pro jantar. Mas não basta arrematar qualquer coisa: precisa pesquisar. Precisa mais que isso! Experimento amostras das promotoras de venda (nem que seja iogurte de jaca), puxo papo com as moças do balcão de frios, peço ao padeiro “quatro dos moreninhos, faz favor”. E checo validade e preço. Nem Mirtes faria melhor.
Acho que toda mãe tem razão
Um dia já fui de bater boca com a minha genitora e achar que ela variava das idéias. Que saco ficar empurrando os filhos para comer, apanhar casaco, não beber, voltar cedo para casa, não dar mole aos estranhos... Onde mães querem chegar com tanta proteção, céus, é exagero! É nada. Passei a fazer o mesmo – e olha que ainda nem tenho o meu próprio alvo de zelo em mãos, então aporrinho a vida dos demais humanos que me cercam. Mãe é assim mesmo, fazer o quê? Uma vez que a genética é ativada, acho que nem tem mais volta. Aliás... ei, vocês já almoçaram? Querem que frite um ovo?
3 comentários:
E que venha Alice, ou Iago, vai saber... e vc roubou minha idéia =/
Que felicidade!
=)
"Quando as crianças brincam
Eu as ouço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar
E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém."
(F. Pessoa)
Postar um comentário