... anotou números de telefone na agenda, mas esqueceu de completar com o essencial nome do contato, e depois ficou sem-graça de ligar para o 3291-4247 e perguntar algo do tipo “oi, de quem é este número?”
... escreveu umas coisas num papel qualquer ou na margem de uma folha para desenvolver depois – e, chegado o depois, não teve idéia do que anotações como “ela vai se jogar da varanda” ou “percepção infantil – biquíni vs. calcinha” queriam dizer?
... anotou números de telefone em papéis avulsos e perdeu o dito-cujo (bem no dia em que precisava dele, depois de ver o papelzinho flanando por ali durante uma semana)?
... fingiu que entendeu algumas conversas completamente além do seu repertório?
... teve vontade de desmarcar um encontro alegando “problemas pessoais” quando, na verdade verdadeira, só queria dormir mais um pouco?
... se enfastiou secretamente quando era o próximo a ser atendido na fila do banco e, de repente, não paravam de chegar velhinhos, que passaram à sua frente na preferência do atendimento?
... se sentiu culpado por ter proferido, mentalmente, alguma coisa como “putaqueopariu, por que esses velhinhos não vão tomar picolé ou jogar bocha?” logo depois do quinto cidadão-sênior que adentrou a agência?
... espiou as capas de revistas femininas e se sentiu tentada a comprar para descobrir uma das 98 formas de orgasmo ou das 114 dicas de maquiagem?
... espiou as capas de revistas masculinas e se sentiu tentada a comprar para ver, afinal, o que tem de mais nas fotos das mulheres peladas?
... falou, como se tivesse visto, de um filme que não viu – só para não estragar a conversa, que estava tão boa?
... cogitou por alguns instantes botar o biscoito dentro da bolsa e sair de fininho ao topar com as quilométricas filas nos caixas do supermercado?
... teve medo de disparar a descarga do vaso quando foi, pela primeira vez, à casa do novo namorado ou da nova namorada?
... pensou em pregar um susto nos pais da moça, se apresentando como comunista, motoboy ou pai de santo?
... pensou em pregar um susto nos pais do moço, respondendo, quando perguntada sobre seu nome, “é Bruna. Bruna Surfistinha, o senhor já ouviu falar?”.
... virou a toalha da mesa para esconder das visitas a mancha que ficou lá por preguiça de esfregar?
... chegou a ensaiar uns pulinhos de alegria ao ver o extrato com 3.000 pilas dando sopa – para logo se lembrar que 2.800 eram do limite de cheque especial?
... teve vontade de cavar um buraquinho na terra, entrar e só sair depois que tudo estivesse resolvido?
... ficou com medo no primeiro dia de emprego?
... ficou com medo no último dia de aula?
... fingiu que estava doente – ou incrementou a expressão de uma simples dor de garganta com gemidos e tonturas – só para ser um pouco mimado?
... escreveu errado sabendo que estava errado, mas só por graça?
... escreveu errado sem ter a menor idéia de que estava errado?
... fingiu que não achou graça numa piada politicamente incorreta – só para, mais tarde, se mijar de rir dela no conforto e na intimidade do seu lar?
... percebeu, no meio da frase, que estava dizendo algo que não queria dizer?
... discou um número e, no breve momento entre o clique e o “alô”, se deu conta de que não sabia mais para quem estava ligando?
... fez um trocadilho idiota?
... foi o único a rir, por solidariedade, do trocadilho idiota de um amigo?
... ficou sem assunto e falou qualquer besteira?
E vocês? Nunca? Pois eu já.
2 comentários:
já fiz um monte dessas coisas... as do telefone eram fato! 8467475 telefones sem nome no meu celular haueheauae, so não me aconteceu a vontade de roubar biscoitinhos, mas sim, se comer balinhas nas lojas americanas :)
ass: Juka com preguiça de deslogar.
Eu também...
Às vezes aqui na loja marco (disco) o número, sei o que tenho de dizer, mas de repente não me lembro do nome da pessoa com que estou a falar... "Boa tarde dona..." ups!
;)
Postar um comentário