Segurar uma bola-de-gude contra a luz e espiar dentro. Gatos. Contos de fadas. Bonecas de pano. Chicabon. Ficar debaixo do sol em dias frios. Sentar na grama. Pipoca. Gloss com sabor e cheirinho de fruta. Deitar em lençol limpo. Dormir com o barulho de chuva na janela. Ir ao cinema na sexta à noite. Manhãs de domingo. Montanhas.
Perfume de jasmim em noites quentes. Beijo estalado e abraço apertado. Ligar para amigas do coração só para falar bobagem. Desenhos de criança. Tecidos de bolinha. Botões. Papelaria. Vermelho com roxo, rosa claro com branco e preto. Revistas e livros japoneses. Caixa de lápis de cor.
Passar o dedo na tigela com resto de massa de bolo e lamber. Estourar plástico bolha. Liquidações. Cigarras. Música que me traz lembrança boa. Descascar mexerica. Contos da Lygia Fagundes Telles. Presentear alguém querido. Bules de ágata. Assistir “Peixe Grande” e chorar toda vez. Bombom com licor de cereja.
Cheiro de alho e azeite fritando na panela. Bandeirolas de festa junina. Sorvete de mandioca. Praça de bairro cheia de velhinhos conversando. Chuchar miolo de pão francês no nescau. Fuçar em feiras de antiguidades e encontrar algo bacana para levar para casa. Pistola de cola quente. Limoeiros.
Tomar banho depois de um dia longo e atribulado. Ir a meu restaurante preferido e ver que o menu não mudou. Ouvir algum estranho comentar “que bonito isso” e responder “eu que fiz”. Brincar de adedanha com um monte de gente divertida. Quermesse. Tomar milkshake direto do copo e ficar com bigode gelado. Novelos de lã felpudos e macios. Sapatos de verniz.
Ler manchetes de revistas de fofoca na fila do supermercado. Dublar música brega quando ninguém está olhando. Sofia ronronando no meu colo enquanto usava o computador. Fotos antigas. Colocar uma concha no ouvido e ouvir o barulho de mar. Ter uma grande idéia. Meninas de saia plissada e fita amarrada no cabelo. Cores do verão.
Botar moeda na máquina de chicletes e conseguir um vermelho. A voz da minha vó. Artesanato popular. Joaninhas. Algodão-doce. Cafuné. Barbearias, farmácias e bazares de bairro. Gibis do Chico Bento. Lua cheia. Assoprar dente-de-leão. Comer pastel na feira. Aroma de pão de queijo e de café passado na hora.
Refrigerante em garrafa de vidro. Histórias de terror para ficar com medo de noite. Elefantes. Tirar uma soneca depois do almoço. Frozen margarita sabor morango. Ver a manteiga derretendo no milho cozido ainda quente. Telefone de disco. Anão de jardim. Tesoura que picota em zique-zague. Veludo cotelê.
Ficar falando mal dos vestidos das atrizes no tapete vermelho do Oscar. Cozinha arrumada. Gérberas. Andar de braço dado. Deitar na rede. Ficar em dúvida entre uma coisa boa e outra melhor ainda. Vila Isabel. Coca-cola cheia de gelo. Brinquedos de lata. Céu azul. Canela.
Casas de Ouro Preto. “Romeu e Julieta” com Chico Buarque e Nara Leão. Audrey Hepburn cantando “Moonriver”. Ir no Outback e pedir uma cebola. Pirulito. Pompons. Móveis de madeira em pátina. Arroz, feijão, bife e batata-frita. Reparar nas pessoas no ônibus. Escutar uma língua que não é a minha. Falar português. Yakult.
Tomar sopa com pão pra comemorar a chegada do inverno. Fuxicos. Velas e incensos. Fotos de livros de culinária. Chá de erva cidreira. Viagem de carro. Cachorro abanando o rabo. Apertar aquele saquinho de sementes que às vezes aparece nas marias-sem-vergonha. Xícaras de porcelana. Casa de vó. Papéis de carta. Finais felizes.
Essas são algumas das minhas coisas favoritas.
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