sexta-feira, junho 13, 2008

Apóie estas campanhas... not!



Atualmente, basta ligar a televisão, entrar em algum portal de internet ou abrir qualquer jornal para sermos inundados com as mais diversas campanhas de conscientização e caridade: se fôssemos viver segundo essa metralhadora politicamente correta, passaríamos nossos dias doando, salvando, adotando, financiando, dizendo não. Claro que campanhas são importantes. Mas é que hoje em dia elas se multiplicam tanto que nem dá para pensar em acompanhar todas.



Inclusive, o número de campanhas criadas por segundo é tão grande que, como acontece com tudo feito em larga escala, alguns exemplares saem defeituosos. São campanhas que faliram, ou que nunca chegaram a ter propaganda no intervalo do Jornal Nacional. Questionáveis, capengas, abandonadas... Em primeira mão, aqui seguem algumas delas:


Se beber, não volte para casa


O consenso mundial diz que quando o cidadão toma umas e outras, não deve dirigir. Deve ou pegar um táxi, ou eleger um motorista sóbrio para levá-lo até em casa. Casa? E quem agüenta um bêbado chegando às altas horas da noite, tropeçando na mesinha de centro e mijando na porta da geladeira (que ele pensou ser o banheiro)? Sério: se beber, não volte para casa. Arrume outro lugar para ficar. Pode ir até lá dirigindo, não ligamos. O importante é que fique longe.



Fome de Cheetos Zero


Apesar dos números quererem dizer o contrário, uma grande parte da população mundial tem o que comer. Tem café da manhã completo, almoço balanceado, lanche da tarde e jantar com sustância. Mas engana-se quem pensa que essas pessoas não passam fome. Sabem aquela fominha entre uma refeição e outra? Aquele momento em que precisamos beliscar algo? Pois muita gente não tem o que beliscar. Entre na campanha pela política redistribuição mais digna de Cheetos.


Diga não à Ioga


Todas as celebridades fazem uso dela. Todos os músicos fazem uso dela. Mas não precisamos ir tão longe: abra os olhos e observe o bairro onde você mora. Conte quantas pessoas magras, de tapetinho enrolado debaixo do braço e olhares perdidos não caminham até o antro de perdição: a academia de ioga. Ioga vicia. Ioga custa caro. Ioga separa famílias. Quantos maridos perderam as mulheres para a ioga (ou para os professores de ioga)? Abra os cinco dedos, estenda a palma e diga não.



Doe seu cabelo à Britney


Muitos deixam as madeixas crescer para depois cortá-las e doá-las como perucas a pacientes de câncer. E quem não tem câncer, como fica? Por que tanto preconceito contra os saudáveis? Há milhares e milhares de pessoas no mundo que, por um motivo ou outro, tomado por fúria ou depressão momentânea, resolveram raspar a cabeça. E ninguém liga para elas? Assim não dá. Campanha encabeçada (literalmente) pela pop star Britney Spears e suas perucas sintéticas horríveis.


Casaco de pele: eu uso!


Você gostaria de viver em um mundo tomado por chinchilas? Estudos recentes apontam que as chinchilas vêm cada vez se reproduzindo mais e tendo mais filhotes que o normal. Num futuro não muito distante, uma única fêmea de chinchila será capaz de gerar 13.854 filhotes por semana. E cada filhote poderá gerar mais 17.288 filhotes. Não é preciso calculadora para entender que as chinchilas são uma ameaça à humanidade. Por isso, apóie o uso de casaco de pele. Antes elas do que eu.


SOS Pernilongos


Enquanto o mundo inteiro une forças, dinheiro e cientistas para salvarem espécies ameaçadas como tigres siberianos, micos-leão dourados e ursos pandas, centenas de milhares de pernilongos são mortos indiscriminadamente a cada noite, e de uma forma muito dolorosa: a tapas. E as maiores vítimas são as fêmeas, que apenas sugam o sangue como alimento para poder gerar mais filhotes. Ou seja, vocês estão matando mães. Estão destruindo lares. Ninguém aí fica com peso na consciência não? Vamos juntos fazer as pazes com elas.


Adote uma criancinha de Mônaco


É sabido que o casal de celebridades Angelina Jolie e Brad Pitt adora adotar criancinhas de países do terceiro mundo. Os dois, então, deram início a uma nova moda de adoção de bebês asiáticos, muçulmanos, negros. E os branquinhos, loirinhos de olhos azuis, como ficam nessa história? Por que nenhuma celebridade adota um ruivinho sardento e gorducho? Por que tamanho preconceito? Crianças arianas também precisam ser amadas. Campanha patrocinada pelo governo de Mônaco.


Neste inverno, agasalhe o Pasquim


O inverno está chegando ao Brasil. É hora de centenas de campanhas de agasalho aos pobres que não tem o que vestir. Mas há uma pessoa tão necessitada de uma japona e de um cobertor quanto aquele mendigo que dorme na esquina da sua casa: Marcos Pasquim. É só ligar na novela das sete para ver que o coitado não tem o que vestir. Ele vive de peito nu, tomando chuva e vento, à mercê das quedas de temperatura. Quando o frio chegar, lembre-se daquela cara barbada e doe.






E ainda sorri...Não é um exemplo de perseverança?

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